PORQUE O CONHECIMENTO LIBERTA.
6 sugestões para avançar na alfabetização na reta final do ano
Identificar as necessidades dos estudantes e investir o tempo em atividades diversificadas para as especificidades de cada hipótese de escrita estão entre as indicações
PorSelene Coletti
12/9/20254 min read


1. Use a última sondagem como ponto de partida
Analise o que os alunos já sabem para identificar o que ainda precisam aprender e planejar as próximas aulas. A depender de quais as hipóteses de escrita seus alunos estiverem, será necessário adequar as propostas, já que cada fase exige ações específicas.
Por exemplo, os pré-silábicos têm de aprender que utilizamos letras para representar a fala. Os silábicos, aliar o som e a grafia e entender que utilizamos mais de uma letra para cada emissão sonora. Já os silábicos-alfabéticos, ter claro que ora usamos uma letra, ora duas ou mais para cada sílaba. Por conseguinte, as propostas e intervenções serão diferentes. Neste material, você encontrará ideias para se inspirar. Também é a avaliação diagnóstica que permitirá formar duplas produtivas com conhecimentos próximos, as quais irão contribuir com os avanços.
2. Crie um plano de ação
Com a visão da configuração de sua sala, planeje as ações e atividades que podem permitir atingir os objetivos. Compartilho abaixo o exemplo de plano de ação da professora Érika Cristina da Silva Alencar, que dá aula no 1º ano do Ensino Fundamental em minha escola. Se bem usado, esse plano traz bons resultados, pois permite estabelecer as prioridades, o foco do trabalho e o tempo determinado para se chegar ao seu objetivo.
3. Faça um bom uso do tempo
Eis um aspecto que precisamos sempre estar atentos. Quando for organizar a rotina, tenha um equilíbrio de tipos de atividades que permitam a todos avançarem. É sempre um grande desafio, porém a nossa reflexão e o nosso olhar para aquilo que estamos propondo são fundamentais. Pergunte-se:
Estou trazendo momentos de atividades individuais, em duplas e em grupos?
Estou fazendo boas intervenções e bons questionamentos que permitam que meu aluno avance no seu nível de conhecimento?
Valorizo o erro, buscando por meio dele entender a forma de pensar do meu aluno e aí poder investir em outras estratégias?
Muitas vezes, “perdemos” tempo insistindo em cópias sem sentido e propostas que não permitam a reflexão sobre a escrita. Com o tempo se esgotando, é fundamental aproveitar cada momento da aula com propostas que realmente atendam ao objetivo de fazer cada um avançar dentro daquilo que precisa.
Vale destacar que você, professora ou professor, precisa ter momentos de atendimento individualizados diariamente com aqueles alunos que ainda não estão alfabéticos. Utilize também atividades diversificadas com esse grupo para dar uma atenção especial para aqueles que mais precisam.
4. Invista em propostas de qualidade
Boas atividades, focadas nas necessidades dos estudantes e que promovam uma real reflexão do sistema de escrita, são cruciais. Como já disse anteriormente, cada fase da escrita necessita de propostas específicas para que possa haver reflexão a respeito da escrita. Explorar as letras móveis, aliado a bons questionamentos e intervenções, permite grandes avanços. Por exemplo, ao oferecer o número exato de letras, os silábicos-alfabéticos e os silábicos com valor sonoro têm o desafio de pensar como utilizar todas elas para formar a palavra.
5. Aposta na parceria com as famílias
Nunca é tarde para aproximar os responsáveis do trabalho de alfabetização. Um bom recurso é estimular a leitura em casa ou propor jogos de alfabetização que contribuem para o avanço. Antes de fazer isso, é importante fazer uma reunião para apresentar a ideia e explicar o que deve ser feito.
Nesse encontro, costumo explicar quais as fases da escrita e o que eles podem fazer para contribuir. Veja abaixo três ideias que podem ser propostas para as famílias.
Bingo utilizando estratégias diferentes para sorteio das letras – com estudantes pré-silábicos e silábicos sem valor. Por exemplo: sortear a letra, mostrá-la e dizer o nome de algo que começa com a mesma aquela letra; ou sortear a letra e falar, sem mostrar, que é a letra da Larissa (explorando os nomes da turma e da família) ou de lápis (utilizando outros tipos de palavras conhecidas pelos alunos), assim ela deve descobrir e dizer qual é letra antes de marcar.
Jogo da forca – aqui, a diferença é que a criança conhece a palavra que está escrevendo. Ou seja, ela sabe que deve escrever FRUTEIRA, o adulto coloca os traços correspondente à quantidade de letras e a criança pensa quais utilizar. Cada vez que erra, anota-se a letra e se desenha uma parte do corpo do bonequinho.
Jogos da memória de letras e nomes.
6. Reorganize os alunos para ter momentos focados nas necessidades específicas
Se em sua escola há crianças de outras turmas que não consolidaram o processo de alfabetização, com apoio da gestão escolar, podem reorganizá-las de forma a separar os não alfabéticos dos alfabéticos e, durante uma hora na semana, fazer um trabalho específico para aquele nível de aprendizagem. Então, uma professora fica com os alfabéticos e foca questões que permitam promover o avanço dentro dessa fase, enquanto a outra fica com os demais e traz outro tipo de propostas que permitam trabalhar as necessidades do grupo – o mesmo pode ser separando estudantes em outra hipótese de escrita. Será mais um momento de intervenções pontuais. Ano passado fizemos isso em nossa escola e obtivemos bons resultados!
Não deixe de lado quem já está alfabetizado. Eles também têm muitas questões ortográficas para desenvolver – além de se investir na fluência leitora. Com um bom planejamento, focando em atividades adequadas e intervenções assertivas, a turma poderá avançar no tempo que resta para finalizar o ano. E então, topa mais esse desafio?
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