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Leitura na educação básica: 8 estratégias para formar leitores

A leitura como prática social, cultural e pedagógica na formação integral do estudante.

Por Redação | Série Especial Educação Básica em Foco

1/13/20263 min read

person reading book on brown and beige textile
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Leitura: um compromisso da escola com a cidadania

Formar leitores é uma das missões centrais da educação básica. Em um contexto marcado por desigualdades sociais, culturais e de acesso à informação, a escola assume papel decisivo na garantia do direito à leitura e à formação de sujeitos críticos, autônomos e participativos.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei nº 9.394/1996) estabelece que o ensino fundamental deve assegurar o domínio da leitura e da escrita como base para o exercício da cidadania. Já a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) compreende a leitura como prática social indispensável ao desenvolvimento das competências gerais, especialmente aquelas relacionadas à comunicação, ao pensamento crítico, à argumentação e à participação social. Formar leitores, portanto, é uma tarefa coletiva, contínua e intencional, que ultrapassa o ensino mecânico da decodificação.

1. Leitura compartilhada: aprender a ler no diálogo

A leitura compartilhada favorece a construção de sentidos, amplia o repertório linguístico e fortalece o vínculo do aluno com o texto. Quando o professor lê com os estudantes, comenta, questiona e escuta, ele cria um ambiente de aprendizagem colaborativa. Segundo Lev Vygotsky, a aprendizagem ocorre nas interações sociais. A leitura mediada possibilita que o aluno avance em sua compreensão leitora por meio da troca, do diálogo e da escuta qualificada.

2. Cantinho da leitura: o espaço como aliado pedagógico

O ambiente escolar exerce influência direta sobre as aprendizagens. Um cantinho da leitura organizado, acessível e acolhedor contribui para despertar o interesse pelos livros e para consolidar hábitos leitores.

Inspiradas nos princípios de Maria Montessori, essas propostas valorizam a autonomia, permitindo que o aluno escolha, manuseie e explore diferentes obras, construindo uma relação positiva com a leitura.

3. Mediação docente: o professor como formador de leitores

Nenhuma estratégia de leitura é eficaz sem a atuação consciente do professor. A mediação envolve orientar, contextualizar, problematizar e ampliar os sentidos do texto. Para Paulo Freire, a leitura do mundo precede a leitura da palavra. Assim, o trabalho com a leitura deve considerar a realidade social, cultural e histórica dos estudantes, promovendo uma aprendizagem crítica e significativa.

4. Diversidade textual: ler diferentes gêneros para compreender o mundo

A BNCC orienta que os alunos tenham contato com uma ampla diversidade de gêneros textuais, incluindo textos literários, informativos, jornalísticos, digitais e multimodais. Essa diversidade amplia o repertório cultural, desenvolve diferentes habilidades de leitura e prepara o estudante para situações reais de uso da linguagem dentro e fora da escola.

5. Autonomia leitora: escolher também é aprender

A formação do leitor passa pelo desenvolvimento da autonomia. Permitir que o aluno faça escolhas, com orientação pedagógica, fortalece o protagonismo e o engajamento com a leitura. Segundo Jean Piaget, a autonomia se constrói progressivamente, à medida que o sujeito participa ativamente do processo de aprendizagem e atribui sentido às suas ações.

6. Referências culturais: leitura com identidade e pertencimento

Textos que dialogam com a cultura local, regional e popular aproximam o aluno da leitura e fortalecem sua identidade. A BNCC valoriza a diversidade cultural brasileira como princípio educativo fundamental. Ao reconhecer a cultura do estudante como ponto de partida, a escola promove inclusão, pertencimento e maior envolvimento com as práticas leitoras.

7. Rotina e constância: leitores se formam com prática contínua

A formação leitora exige regularidade. Projetos pontuais não substituem práticas diárias e sistemáticas de leitura no cotidiano escolar. De acordo com Philippe Meirieu, a aprendizagem demanda tempo pedagógico, continuidade e intencionalidade, elementos essenciais para a consolidação do hábito de ler.

8. Escola leitora: quando a leitura é um projeto institucional

A formação de leitores se fortalece quando a escola assume a leitura como projeto coletivo, envolvendo professores, gestores, bibliotecas e famílias. Bibliotecas ativas, projetos interdisciplinares, eventos literários e ações permanentes criam uma cultura leitora sólida e duradoura.

Considerações finais

Formar leitores é formar cidadãos capazes de interpretar a realidade, participar da vida social e exercer seus direitos de maneira consciente. A leitura é ferramenta de emancipação, diálogo e transformação social. Ao investir em práticas leitoras fundamentadas na legislação educacional, na BNCC e em referenciais teóricos consistentes, a escola cumpre seu papel formativo e social, contribuindo para uma educação mais crítica, humana e democrática.

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